segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

A Exclusividade de não ser Exclusivo

Todos queremos ser únicos.
Exclusividade é a palavra da vez.
Num mundo de consumo de massa, queremos nos sentir tailor made ou quem sabe one-of-a-kind.
Sim, queremos me vestir de forma original, ter pensamentos que ninguém ousou cogitar antes, conhecer lugares e ouvir músicas antes que todos, queremos que tudo aconteça primeiro conosco e depois com os outros.

Até onde vai esta neura pela exclusividade? 
Quanto as pessoas pagam para se sentirem únicas?

O mundo é gigante, mas sabemos que nosso universo é limitado. Tudo é centralizado. Já ouvi alguém dizer que nossa rede de contatos varia entre 300 pessoas e o resto é tudo coadjuvante.
"E aquelas pessoas que tem mais de mil amigos no Facebook?" Impossível. Duvido que esta pessoa mantenha contato e veja o feed de todos da lista (até mesmo porque a ferramenta da rede social nem permite isso de forma espontânea).

Vivemos na comunidade do bairro e no círculo central, frequentamos os lugares que estão "in", assistimos os mesmos filmes, consumimos a mesma mídia de massa, vamos nos mesmos shoppings e compramos roupas dentro das marcas que estão no protocolo. Achar que, depois de tanta mesmice somos exclusivos é uma bobagem.

O que ninguém nos copia ou reproduz em massa são duas coisas: fisionomia e sentimentos. Até pode acontecer de alguém cometer a insanidade de fazer mil plásticas para chegar em um ideal de beleza, mas jamais chegará a ser igual a outra. Nossos sentimentos, por mais que os categorizamos dentro dos significantes tais como: amor, alegria, tristeza e por aí vai são únicos e jamais serão sentidos ou tangibilizados por outra pessoa. Tá aí a autêntica exclusividade.

Mesmo não vendo sentido neste frenesi de ser ímpar, quem nunca quis se sentir único por um milésimo de segundo?



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Um comentário:

  1. O que realmente importa é sermos exclusivos para nós mesmos.
    GK

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