domingo, 8 de setembro de 2013

Liberté

Tenho uma corajosa amiga que tomou a iniciativa de largar tudo o que tinha aqui para fazer uma volta ao mundo. 

São poucas pessoas que tem "cacife" para fazer o que ela fez e a admiro muito por isso.
Sempre amei viajar e não sei por que por tanto tempo gastei (e ainda venho gastando) meu rico dinheiro em coisas tolas, tais como baladas, restaurantes, roupas e presentes caros. Adiei minha primeira ida para fora do Brasil (já era adulta), mas serviu de pontapé inicial para uma longa jornada. Antes tarde, do que nunca.

Li no blog dela (aqui o blog) um link de uma matéria que conta a vida de um casal maduro que larga a vida boa aqui no Brasil, para morar fora com muito menos (aqui a matéria). Num depoimento prá lá de emocionante, notamos como realmente somos escravos do sistema.

Aqui no Brasil, a diferença entre classes é grande e a busca por status é algo que grita aos nossos ouvidos, porém no silêncio das entrelinhas diárias.

O tempo todo temos que provar para os outros nossos bens e riquezas, que até a bagagem cultural também é outra forma, digamos moderna, de demonstrar que você está acima da média.

Média, ou "mérdia", como me ensinaram alguns professores diz tudo e nada ao mesmo tempo.
Queria eu viver como uma cidadã mediana em outro lugar (já que aqui no Brasil está longe de chegar a este patamar sócio-econômico-cultural) e levar a vida mais numa boa, sem muitos luxos e com o suficiente para ser feliz.

Esta história também me faz lembrar que em uma aula da pós graduação, um professor psicanalista comentou o caso de uma paciente que era um pouco mais que estagiária em uma grande agência de publicidade e que não conseguia acompanhar seus colegas de trabalho e manter o padrão exigido. Gastava rios de dinheiro com roupas, viagens, bares e outras coisas só para se adequar e não ficar fora da panela. Depois de um surto, ela largou tudo e, como freelancer, começou a ganhar menos e sobrava mais dinheiro por não ter que ostentar esta vida que não lhe cabia.

É fácil falar e refletir algo pensando nas terceiras pessoas, não nego que também sou uma refém do sistema.
Gosto de conforto, coisas bonitas (que geralmente não são as mais baratas), me vestir legal, de viajar bem, comer bem e frequentar bons lugares.
Geralmente enquanto vamos amadurecendo, repensamos nos nossos valores.
Hoje me sinto muito mais dona de mim mesma, de minha opinião e mais segura.
Mas, o futuro ainda me ronda com incertezas, nas quais sei que daqui a muitos anos estarei vivendo de uma forma que jamais pudera adivinhar nos dias atuais.

A vida é um curso, um caminho que a cada curva, cada obstáculo nos mostra e nos direciona para onde iremos finalmente chegar um dia.


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