quinta-feira, 30 de maio de 2013

Working in the UK

De volta ao trabalho e à rotina, encontro-me em estado um tanto quanto nostálgico.
Não é todo dia que a gente realiza um sonho. Até hoje religiosamente sonho que ainda estou em terras inglesas.

Tudo começou com o meeting em Reading, uma pequena cidade de aproximadamente 145 mil habitantes a 40 minutos de Londres.
Foi demais ter participado de discussões onde o futuro dos produtos desta marca que tanto adoro irá tomar e ter conhecido um pouquinho mais de como é a presença dela em um país tão distante e diferente.

Fui em super boa companhia do querido Luisão e, nossa tentativa de dar uma bandola na cidade antes de tudo começar, foi por água abaixo pelo simples fato de estarmos acostumados dos meios de locomoção que o motorista fica na direita e não na esquerda (!!).

Fomos a um pequeno pub, bebemos uma coca-cola só para usufruir do wi-fi grátis e fazer contato com o pessoal que já estava pronto para o jantar, marcado pontualmente às 19h.
É lógico que nos perdemos no trem, mas esta até que foi uma boa odisséia e serviu de aprendizado para as próximas que estariam por vir.

De cara, já chegamos atrasados e, depois no decorrer da viagem, ouvimos um "Just Brazil!" querendo dizer que realmente sempre somos os últimos a chegar. Porque para nós, se marcamos às 18h, às 18h15, 18h20 ou até 18h30 ainda é 18h! Mas para eles não, 18h é 18h e 18h01 you are already late.

Comemos e bebemos super bem em um restaurante super charmoso na beira do River Kennet e, depois de alguns copos, comecei a me soltar mais no inglês. Por que quando trata-se de idiomas, nosso superego sempre nos condena da forma mais cruel possível? Temos que recorrer a alguns artfícios para que consigamos fluir na nossa 2a língua sem as reprovações de um acento ou um tempo verbal errados, e o álcool sempre ajuda a fluirmos como reais nativos!

Apesar de ter me decepcionado um pouco com a organização do gerente de marketing (pois eu, como uma boa C.D.F., levei uma apresentação completíssima com mais de 100 slides), as reuniões foram boas.
Entrei de gaiato na reunião de produto e foi interessantíssimo ter participado das discussões, entender melhor como funciona esta área que está tão linkada à minha e que minha curiosidade sempre me matou para saber como era.

O jantar desta noite foi num fast food local de Peri-Peri chicken, o Nando's. Não me perguntem o que é isso, só sei que comi e, mesmo pedindo o nível medium de hot, cuspi fogo algumas horas e apaguei o incêndio com uma.... Brahma! Saímos e fomos para um pub assistir o jogo do Chelsea contra sei lá quem. Foi a primeira vez que tomei a tal da London Pride quente que, imaginei que fosse ser péssima, mas a surpresa foi super positiva... ufa!

No meio do percurso, dei uma fugidinha para Londres de trem para um retail visit. Sempre dei suporte para os gringos aqui no Brasil nas visitas deles, agora chegou a minha vez de eles me darem o apoio para eu conhecer um mercado novo. O melhor de tudo é que a minha primeira vez tinha que acontecer justamente em London. Perfeito!

O trem foi super tranquilo e foram bons estes 40 minutos de conversa com o cara até mesmo para quebrar o gelo da minha impressão negativa do dia anterior. Eu, como uma boa brasileira, mesmo com vergonha por falar algumas coisas erradas, sei bem como puxar assunto com todo mundo, deixar a conversa fluir com o clima mais descontraído.



Depois de tanto trem e tube, subimos para a superfície e algo me disse "I'm in London, baby!". Não sei se era porque estava tão focada no trabalho ou se não tinha visto nada além dos busões e telefoninhos clássicos... e ah! o pepino, quer dizer, o Gherkin, não senti que havia ido ido para Londres de verdade... mesmo ouvindo a famosa música "London Calling" do The Clash ao entrar na loja da concorrência numa coincidência indescritível. 

Fomos em algumas sporting goods stores e, palmas para a Nike, sempre espetacular para tristeza dos demais do mercado esportivo. Fui em uma loja bacanérrima especializada em corrida, Sweat Shop onde até sala com 15% a menos de oxigênio e esteira gravidade zero tinha. Sensacional!
A conversa com uma vendedora de outra loja, a Run-Fast, foi em altíssimo nível. Nunca tinha conhecido alguém tão técnico e específico de corrida que manjasse e fosse tão apaixonada pelo esporte, que até deu gosto de ver.

Já tinha dado umas 6 e pouco da tarde e era hora de voltar. O fulano me avisou que ele ficaria em Londres para dar uma passadinha na agência e que me colocaria no trem de volta direitinho, mas que retornaria sozinha. Depois de me encontrar em pé por 40 minutos com meus pés latejando na bota de tanto bater perna, dividindo um cubículo de meio metro quadrado no espaço entre um vagão e outro, descobri que este foi um golpe de mestre.
Na ida, ele tinha comentado comigo para eu pegar um taxi assim que chegasse em Reading, mas não peguei. Já estava me sentindo praticamente uma local depois de ter dado a gansada do primeiro dia. Cheguei na estação, pedi informação e peguei outro trem até a Winnersh Triangle que era colada no hotel. Bingo!

Estava tão cansada, que acabei abortando o jantar deste dia. Tomei um banho de banheira (que nunca dá para tomar quando estamos em viagem a trabalho), pedi um sanduíche no quarto e me preparei para o último dia de reunião.

Este dia sim, foi 100% do tempo focado em marketing, com discussões bastante calorosas. Tenho que confessar que os japoneses são excelentes em produto, mas ainda tem que muito o que aprender sobre marketing e afins. Vivi um dia útil típico de quem trabalha no escritório, uma casa antiga, porém charmosa. Almoço em pé, comendo pizza na mão em meia hora e término da reunião às 17h30 em ponto. Fiquei pensando como seria bom se saísse este horário todos os dias. Teria tempo de sobra para fazer muitas outras coisas no final do dia que geralmente chego super cansada e como-tomo banho-durmo.

No meio desta reunião, senti a "chave virar", como se tivesse ligado o MODE ON do inglês e entendi, falei e escrevi o idioma como nunca. Parece que tudo o que eu estudei estava mais do que vivo na minha memória presente. Foi impressionante. 


O pessoal foi embora naquele dia mesmo e só sobraram eu e o americano. Fomos convidados para um jantar em um restaurante chinês sensacional, no qual estávamos em 2 mesas em umas 25 pessoas. Todos japoneses. E eu e o americano.
Durante os demais dias, acabei conversando pouco com os outros, pois sentava perto dos meus companheiros brasileiros. Só que desta vez, fiquei perto de pessoas que ou não conhecia ou que tinha interagido muito pouco e foi sensacional conversar em um ambiente mais descontraído que o escritório.

O jantar foi tão animado, que a galera se empolgou para beber a saideira no pub. Ele era meio arrumadinho e fiquei o tempo inteiro conversando com o big boss de UK. A conversa foi tão bacana que esqueci que minha língua materna era o português.

O saldo do meeting foi mais do que positivo, o intercâmbio cultural gigantesco, com muitos aprendizados. Apesar de ter viajado também a trabalho no ano passado em Amsterdam, esta foi diferente. Posso considerar que esta foi a primeira de muitas que ainda estão por vir.

Próxima parada: Edinburgh.

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