sábado, 11 de agosto de 2012

Odisséia Semiótica Concluída

Já comentei alguma coisa aqui sobre a Semiótica, não é um assunto desconhecido por quem lê sempre o blog.
Mas, a minha odisséia para finalizar com chave de ouro esta Pós Graduação vale este post e muito mais.
Fazendo uma analogia à Semiótica, esta odisséia é o objeto dinâmico, que tentarei ilustrar aqui. Claro que tudo que escrever passará por meu crivo emocional como  interpretante dinâmico, mas vamos lá!

No meu post antigo de agosto do ano passado, estava convicta de que escreveria uma monografia baseada em psicanálise e que meu objeto de estudo seria um romance que eu mais amei ler em toda minha vida.

Depois de muitos contratempos na minha vida pessoal, num belo dia no qual resolvi ir contra tudo e todos do sistema, questionar o status quo e todas minhas escolhas que havia feito até então e cheguei à conclusão que: 1) optei por fazer este curso por conta da Semiótica e do Branding e 2) adoro a marca Farm.
Por mais fútil que possa parecer, eu gosto de moda, fazer o quê? Resolvi lutar contra este meu próprio preconceito e assumir o recorte da minha monografia: análise semiótica da marca Farm.


Depois da decisão tomada, fiquei postergando para entrar em contato com o pessoal da Farm e com a minha professora que eu mais admirei durante o curso, simplesmente a "papa" da Semiótica no Brasil.
Muito tempo depois, mandei um email para ela, nos encontramos e ela aceitou orientar meu trabalho.
Com a Farm, confesso que tive um pouco de dificuldade de conseguir algumas informações, mas o site deles é tão completo e tem tanta informação disponível na internet que juntei com meus 5 anos de experiência como consumidora e deu no que deu.

Os 3 meses seguintes, fiquei lendo algumas monografias que peguei emprestado na bilbioteca relacionados com o tema, comecei a me familiarizar com seu sistema de busca, renovações e prazos (muitos com multa!). Esse mundo dos livros é um mundo à parte, com suas próprias regras e estilo de vida.

Fiz um cronograma no meu caderninho no dia 6 de maio, no qual tinha 87 dias para a entrega e comecei a me planejar nos dias. Era "bolinha" nos dias em que produzia ou lia alguma coisa e "xizinho" naqueles que passavam em branco. 

Num belo feriado de junho, comecei a esboçar o capítulo que seria a história da Farm. O mais fácil de começar, sem precisar de muitas referências bibliográficas.
Esse foi o primeiro que finalizei. Mandei para minha professora, ela corrigiu e pediu mais. Comentou para eu fazer de 8 à 10 páginas por capítulo, que inicialmente duvidei que conseguiria escrever tanto.

No dia 30 de junho, no meu cronograma, os "X" eram mais abundantes do que os "O" no e começou a bater o desespero. Tinha exatos 30 dias para a entrega final e só 7 páginas escritas. Imprimi minha agenda do trabalho e sentei com meu chefe. Expliquei à ele que estava na reta final, que precisava faltar 2 dias inteiros e que sairia mais cedo em dias do rodízio. Ele concordou e recebeu bem, desde que eu me programasse com as atividades do trabalho e não deixasse a "peteca cair". Minha equipe foi super compreesiva também, me ajudando com as responsabilidades e me apoiando bastante.

O primeiro capítulo era sobre marcas, assunto esse que respiro no meu dia-a-dia de marqueteira e que fluiu feito água. Comecei a escrever sem muito saber como seria a estrutura, mas fui pegando uma referência aqui, outra ali e consegui. Percebi naquela segunda-feira na qual passei o dia todo na biblioteca e que almocei em meia hora com meu querido pai, que meu trabalho rendeu muito. Começou a pintar um certo orgulho em ter conseguido organizar as idéias. Enviei para minha orientadora, ela corrigiu rapidamente e aguardava o restante.
Recebi um elogio dela no email, dizendo que o trabalho ia "maravilhosamente bem" e que tinha uma "excelente discurso acadêmico". Fiquei tão feliz, que tive mais gás ainda para continuar. E, mal sabia eu que o pior ainda me esperava!

Meus finais de semana de julho mês foram totalmente tomados pelos livros e a telinha do Word no meu computador. Achei que fosse conseguir estudar mais na biblioteca aos sábados, mas por azar, ela não ficaria aberta naquele mês por conta das férias. Passei por tantos contratempos em ter que me deslocar até lá durante a semana e atravessei inúmeros obstáculos, até perder a carteirinha dentro da biblioteca e ter que ir até a casa da minha mãe correndo para buscar uma foto, fazer outra e pegar os livros antes que ela fechasse (claro que no final de tudo, acabei a encontrando).




Depois de uma brincadeira aqui e outra ali postando as fotos da pilha de livros no Instagram, peguei gosto pela coisa e comecei a retratar minha saga de estudante, CDF, nerd ou qualquer coisa que queiram me chamar. Meus amigos acompanhavam, comentavam e me davam ainda mais força para terminar.

A parte de semiótica tive um pouco mais de dificuldade de estruturar, se comparar com a das marcas. Apesar do meu curso ser sobre a Semiótica, esta é uma teoria universal, que pode ser aplicada à qualquer área: física, matemática, medicina, etc. Minha expectativa era o enfoque na comunicação, mas quando percebi, estava imersa na psicanálise, já que a semiótica a complementa também. No decorrer do curso, acabei desviando um pouco, mas também me apliquei em estudar semiótica, comprei vários livros do tema e, principalmente das análises aplicadas à comunicação. 
Este capítulo é claro que tive um certo receio em enviar à minha professora (já que ela manja mais de Semiótica que o próprio Peirce!), mas ela passou um "Bombril" no texto, ele saiu. Depois disso, faltava somente a parte da análise, a mais legal, interessante, enfim, a cereja do bolo da monografia.

Quando me vi diante dela, travei. Não sabia por onde começar!
Comecei a enrolar e criar no Photoshop algumas capas para os capítulos com a estampa da Farm, a fazer firulas, escrever os agradecimentos, epígrafe e essas coisas que saberia que teriam que sair mais cedo ou mais tarde. Decorei as horas do dia em que tinha que trocar a persiana de lado para não bater o sol no computador, acompanhei as fases da lua.
Tentava falar com minha professora e nada. Faltava somente 1 mísera semana para a entrega! Foi aí que minha neurose se intensificou. Tinha que estudar e aprender sozinha a como fazer a análise, para depois aplicar ao meu objeto de estudo. Já não precisava mais dos livros da biblioteca, pois já tinha todos, mas... e o retorno da professora para direcionar se estava certo ou errada?

Fiz, mal e porcamente a análise do nome e do logo e mandei para ela. Nada. Reenviei. Nada. Mandei recado no Facebook dela. Nada. Só não liguei pois não tinha seu telefone.

Peguei um dia para dar uma passada na loja da Vila Madalena e a fotografar em detalhes. No dia seguinte, fui até outra loja de shopping para fazer mais fotos, pois as que já tinha não eram suficientes. Percebi que ainda teria muito trabalho pela frente.

Até que, na quinta-feira (da semana antes da entrega) mandei um email, dizendo a ela para, por favor, ler somente esta minha análise e criticá-la que eu me viraria com o resto. 

Resolvi dar um passo para trás e comecei a escrever um resumo da teoria do que era importante na análise em folhas de sulfite. Deram 6. 
Na sexta, ela me respondeu que estava viajado (por isso não havia me retornado) e que de jeito nenhum eu entregaria uma parte sequer do trabalho sem sua revisão.
Este dia me marcou, pois estava completamente transtornada, estava na frente do meu computador do trabalho, mas não estava ali, minha cabeça estava a mil. Voltei para casa para almoçar e continuar com meus resumos, tinha duas reuniões à tarde e combinei que este dia sairia mais cedo. Voltei, fiz apenas uma e desmarquei a outra. Não tinha condições psicológicas para prosseguir.
Escrevi, escrevi e escrevi e mandei para ela mais uma parte naquela noite. Ela comentou para que lhe enviasse tudo até domingo no final do dia que ela me retornaria à noitão.
Pensei: "não! tenho que terminar antes disso para que possa fazer possíveis ajustes!". 


Fui dormir e coloquei o despertador para às 5h da manhã. Exatamente às 3h16 despertei de tanta preocupação e resolvi colocar a mão na massa. Pendurei meus resumos na parede para poder consultar ao fazer a análise (parecia louca, no estilo "John Nash em Uma Mente Brilhante"). Comecei pela parte mais fácil, a loja da Vila Madalena, a qual sou frequentadora mais do que assídua. Quando vi, a coisa deslanchou, que consegui fazer todas as análises, exceto a fábrica para a entrega do meio-dia do sábado que tinha combinado com a minha professora. Fiquei super contente pela velocidade das respostas dela, do tamanho suporte que ela me deu na reta final, neste momento mais crucial do meu trabalho. 
Quando me vi, organizando as fotos da fábrica percebi que era muuuuuita coisa e que não terminaria antes de 2015! Minha profe me respondeu dizendo que era para eu parar por ali e que meu trabalho era quase um mestrado e reconheceu que eu estava fazendo um grande esforço.
Neste vai e vem de emails, para completar, sei lá o que aconteceu que o Yahoo! bloqueou minha conta. Só conseguia responder emails, mas mandar que é bom, nada. Ainda bem que tinha outro de backup!
Domingão continuei com os retoques finais, com a introdução que tinha esquecido de fazer, a montagem das imagens no Photoshop. Almocei no shopping para comprar uma blusinha da Farm de presente para minha orientadora e me dediquei desde o começo da tarde até às 1h30 da madrugada para a revisão de todo o trabalho. Quando achei que tivesse acabado, recebi naquele instante o email final dela com as últimas correções e fui dormir às 2h.
Acordei cedinho na 2a feira, mandei para a gráfica (claro que minha internet caiu e tive que conectar pelo celular) e, por sorte, fiz uma cópia no meu pen drive pois tive que reenviar novamente, pois tinha dado erro em algumas fontes na conversão.


Enfim. Minha mãezinha foi buscar os livros e, antes de ir para a casa dela, aproveitei para passar na PUC e devolver os últimos que ainda restava. O engraçado é que era o primeiro dia de aula da faculdade, os bares estavam fervendo e vi algumas figuras pintadas e com o cabelo todo destruído do trote. Foi nessa hora que realizei que não sou mais uma simples bacharel, mas sim, uma pós graduada na área que sempre sonhei em seguir.
O dia seguinte foi super tranquilo, pois aproveitei a hora do almoço e entreguei minhas 95 páginas compiladas em um livro. Done.








Um breve resumo de tudo:

Ai que orgulho que essa monografia me deu!
Sempre fui dedicada aos estudos e, quando abraço uma causa, vou até o fim. Isso é parte pela minha garra e parte pela minha teimosia.
Comecei a questionar tantas coisas da minha vida durante todo este processo, minhas escolhas profissionais, meus caminhos tortuosos para chegar até ali.
Este trabalho representou muito, aliás quase tudo.
Foi nele que depositei toda minha confiança, toda minha força para virar este jogo da minha história sofrida de vida por ser assim, do jeito que sou.
Tive que atravessar barreiras e vencer obstáculos, mas meu objetivo era tão claro que tirei de letra.
Me mostrou que tenho que acreditar em mim mesma, ouvir minha voz interior. E que, antes tarde do que nunca, aqui estou eu, 5 anos depois de formada, concluindo aquela Pós-Graduação meio maluca que sempre quis fazer.
O sentimento que guardo de tudo isso está registrado em imagens na minha odisséia no Instagram e na minha memória quando me recordo de uma quarta-feira árdua de estudo, no qual fiquei até a biblioteca fechar. Dirigia para casa e, naquele silêncio, me bateu uma felicidade, um bem-estar, que arrancou um sorriso do meu rosto.

When there is a will, there is a way.





InstaCollage #books # study


3 comentários:

  1. Oi, Mari.

    Vou fazer minha monografia baseada no conceito de lovemarks, e também escolhi a Farm.
    Você, como publicitária, teria alguma indicação de livro sobre gestão de marcas?
    Vi que você teve dificuldade em falar com a Farm, e isso já me deu um desânimo.rs
    Tomara que eu tenha sorte.

    Beijos, Carol.

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    1. Oi Carolina, tudo bem?

      Trabalhei com o Aaker, Kapferer e também com o Keller. Seguem os livros que utilizei:


      AAKER, David A. Managing brand equity: capitalizing on the value of a brand name, New York: Word Perfect Corporation, 1991.

      ______. Marcas: Brand Equity gerenciando o valor da marca, São Paulo: Elsevier, 1998.

      ______. Como construir marcas líderes, São Paulo: Futura, 2000.


      KAPFERER, J.N. As Marcas, Capital da Empresa: criar e desenvolver marcas fortes. Porto Alegre: Bookman, 2003.

      KELLER, Kevin Lane. Gestão estratégica de marcas – São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2006

      ROBERTS, Kevin. Lovemarks: o futuro das marcas – Londres: M Books do Brasil Editora Ltda., 2005

      TAVARES, Mauro Calixta. A Força da Marca: como construir e manter marcas fortes – São Paulo: Editora Harbra, 1998.

      SEMPRINI, Andrea – A Marca Pós-Moderna, São Paulo: Estação das Letras, 2006

      Bjs!

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  2. Oi, Mari.

    Valeu pela ajuda.

    Beijos

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