sexta-feira, 24 de agosto de 2012

no divã

Ontem assisti uma palestra interessantíssima do Ricardo Guimarães, dono da Thymus Branding. Além de ter descoberto o porquê do nome da consultoria, entre outras reflexões sobre marca, descobri que, fazer branding é praticamente uma terapia organizacional.

A marca chega com seus problemas de identidade, em fase de mudanças e com mil dúvidas e desafios no novo cenário, enquanto a consultoria cumpre o papel de fazer as perguntas certas para que a própria marca diga as respostas.

Interessante adentrar um pouco mais nas metodologias das consultorias.
Para eles, marca é um jeito de pensar, de decidir, de tangibilizar o intangível. Ou, nas próprias palavras de Ricardo Guimarães, marca é um nome ao qual as pessoas relacionam competências, atitudes e valores, que alimentam as expectativas de entregas futuras e que são materializadas por experiência proporcionadas por uma cultura (cultura = artefatos que deduzem valores).

A Thymus enxerga a empresa como se fosse um indivíduo dentro de um ecossistema. Seu insight é a inspiração, algo como "colocar uns óculos que você começa a ver o que você não enxergava antes".

Dentre outros aprendizados que rapidamente registrei em meu fiel caderninho algo me intrigou: seu idealizador se demonstrou ser avesso ao marketing e, ao responder a pergunta do perfil de funcionário que permeia dentre sua equipe de 15 pessoas, ele comentou que tem pessoas de diversas áreas, menos propaganda e marketing.

Infelizmente esta pergunta terei que deixar para uma próxima.



Anotações e interpretações da palestra



sábado, 11 de agosto de 2012

Parabéns, mulherada!

É claro que tem horas que tenho vergonha de algumas coisas que acontecem aqui no Brasil e até mesmo de muitos brasileiros. Nem vou entrar neste detalhe, caso contrário, gastarei muito tempo me lamentando.
O futebol, cheio de estrelas que estão mais preocupadas com o look do que com a posse de bola, enfim, decepcionou mais uma vez.
São milhões envolvidos neste esporte que traz alegria e tristeza para seus súditos. Não foi desta vez.

Mas, o orgulho veio mesmo pela garra e força de vontade das brasileiras do volley. Jogaram mal em alguns momentos e conseguiram virar.
Ergueram a cabeça e focaram em seu objetivo: o ouro olímpico.
A festa e a comemoração delas foi incrível e nesta hora reascende nosso orgulho por esta pátria tão única.
Me incomodo um pouco com a frieza de alguns países e suas comemorações comedidas perante a vitória. O Brasil não. Faz batuque, grita, pula, reza e chora. Tudo vira um grande carnaval e todos vibram.

Parabéns, meninas do volley. Vocês mostraram ao Brasil e ao mundo que vieram para jogar, para lutar e não estão de brincadeira. Seus cabelos e maquiagens continuam impecáveis, mas suas cortadas e bloqueios também.
Espero que a seleção de futebol seja humilde o suficiente para aprender pelo menos um pouco com isso. Suar mais e se embonecar de menos.



O nosso volley - fonte: site Terra



Winners vs. losers (detalhe da atitude) - fonte: site Globo


Odisséia Semiótica Concluída

Já comentei alguma coisa aqui sobre a Semiótica, não é um assunto desconhecido por quem lê sempre o blog.
Mas, a minha odisséia para finalizar com chave de ouro esta Pós Graduação vale este post e muito mais.
Fazendo uma analogia à Semiótica, esta odisséia é o objeto dinâmico, que tentarei ilustrar aqui. Claro que tudo que escrever passará por meu crivo emocional como  interpretante dinâmico, mas vamos lá!

No meu post antigo de agosto do ano passado, estava convicta de que escreveria uma monografia baseada em psicanálise e que meu objeto de estudo seria um romance que eu mais amei ler em toda minha vida.

Depois de muitos contratempos na minha vida pessoal, num belo dia no qual resolvi ir contra tudo e todos do sistema, questionar o status quo e todas minhas escolhas que havia feito até então e cheguei à conclusão que: 1) optei por fazer este curso por conta da Semiótica e do Branding e 2) adoro a marca Farm.
Por mais fútil que possa parecer, eu gosto de moda, fazer o quê? Resolvi lutar contra este meu próprio preconceito e assumir o recorte da minha monografia: análise semiótica da marca Farm.


Depois da decisão tomada, fiquei postergando para entrar em contato com o pessoal da Farm e com a minha professora que eu mais admirei durante o curso, simplesmente a "papa" da Semiótica no Brasil.
Muito tempo depois, mandei um email para ela, nos encontramos e ela aceitou orientar meu trabalho.
Com a Farm, confesso que tive um pouco de dificuldade de conseguir algumas informações, mas o site deles é tão completo e tem tanta informação disponível na internet que juntei com meus 5 anos de experiência como consumidora e deu no que deu.

Os 3 meses seguintes, fiquei lendo algumas monografias que peguei emprestado na bilbioteca relacionados com o tema, comecei a me familiarizar com seu sistema de busca, renovações e prazos (muitos com multa!). Esse mundo dos livros é um mundo à parte, com suas próprias regras e estilo de vida.

Fiz um cronograma no meu caderninho no dia 6 de maio, no qual tinha 87 dias para a entrega e comecei a me planejar nos dias. Era "bolinha" nos dias em que produzia ou lia alguma coisa e "xizinho" naqueles que passavam em branco. 

Num belo feriado de junho, comecei a esboçar o capítulo que seria a história da Farm. O mais fácil de começar, sem precisar de muitas referências bibliográficas.
Esse foi o primeiro que finalizei. Mandei para minha professora, ela corrigiu e pediu mais. Comentou para eu fazer de 8 à 10 páginas por capítulo, que inicialmente duvidei que conseguiria escrever tanto.

No dia 30 de junho, no meu cronograma, os "X" eram mais abundantes do que os "O" no e começou a bater o desespero. Tinha exatos 30 dias para a entrega final e só 7 páginas escritas. Imprimi minha agenda do trabalho e sentei com meu chefe. Expliquei à ele que estava na reta final, que precisava faltar 2 dias inteiros e que sairia mais cedo em dias do rodízio. Ele concordou e recebeu bem, desde que eu me programasse com as atividades do trabalho e não deixasse a "peteca cair". Minha equipe foi super compreesiva também, me ajudando com as responsabilidades e me apoiando bastante.

O primeiro capítulo era sobre marcas, assunto esse que respiro no meu dia-a-dia de marqueteira e que fluiu feito água. Comecei a escrever sem muito saber como seria a estrutura, mas fui pegando uma referência aqui, outra ali e consegui. Percebi naquela segunda-feira na qual passei o dia todo na biblioteca e que almocei em meia hora com meu querido pai, que meu trabalho rendeu muito. Começou a pintar um certo orgulho em ter conseguido organizar as idéias. Enviei para minha orientadora, ela corrigiu rapidamente e aguardava o restante.
Recebi um elogio dela no email, dizendo que o trabalho ia "maravilhosamente bem" e que tinha uma "excelente discurso acadêmico". Fiquei tão feliz, que tive mais gás ainda para continuar. E, mal sabia eu que o pior ainda me esperava!

Meus finais de semana de julho mês foram totalmente tomados pelos livros e a telinha do Word no meu computador. Achei que fosse conseguir estudar mais na biblioteca aos sábados, mas por azar, ela não ficaria aberta naquele mês por conta das férias. Passei por tantos contratempos em ter que me deslocar até lá durante a semana e atravessei inúmeros obstáculos, até perder a carteirinha dentro da biblioteca e ter que ir até a casa da minha mãe correndo para buscar uma foto, fazer outra e pegar os livros antes que ela fechasse (claro que no final de tudo, acabei a encontrando).




Depois de uma brincadeira aqui e outra ali postando as fotos da pilha de livros no Instagram, peguei gosto pela coisa e comecei a retratar minha saga de estudante, CDF, nerd ou qualquer coisa que queiram me chamar. Meus amigos acompanhavam, comentavam e me davam ainda mais força para terminar.

A parte de semiótica tive um pouco mais de dificuldade de estruturar, se comparar com a das marcas. Apesar do meu curso ser sobre a Semiótica, esta é uma teoria universal, que pode ser aplicada à qualquer área: física, matemática, medicina, etc. Minha expectativa era o enfoque na comunicação, mas quando percebi, estava imersa na psicanálise, já que a semiótica a complementa também. No decorrer do curso, acabei desviando um pouco, mas também me apliquei em estudar semiótica, comprei vários livros do tema e, principalmente das análises aplicadas à comunicação. 
Este capítulo é claro que tive um certo receio em enviar à minha professora (já que ela manja mais de Semiótica que o próprio Peirce!), mas ela passou um "Bombril" no texto, ele saiu. Depois disso, faltava somente a parte da análise, a mais legal, interessante, enfim, a cereja do bolo da monografia.

Quando me vi diante dela, travei. Não sabia por onde começar!
Comecei a enrolar e criar no Photoshop algumas capas para os capítulos com a estampa da Farm, a fazer firulas, escrever os agradecimentos, epígrafe e essas coisas que saberia que teriam que sair mais cedo ou mais tarde. Decorei as horas do dia em que tinha que trocar a persiana de lado para não bater o sol no computador, acompanhei as fases da lua.
Tentava falar com minha professora e nada. Faltava somente 1 mísera semana para a entrega! Foi aí que minha neurose se intensificou. Tinha que estudar e aprender sozinha a como fazer a análise, para depois aplicar ao meu objeto de estudo. Já não precisava mais dos livros da biblioteca, pois já tinha todos, mas... e o retorno da professora para direcionar se estava certo ou errada?

Fiz, mal e porcamente a análise do nome e do logo e mandei para ela. Nada. Reenviei. Nada. Mandei recado no Facebook dela. Nada. Só não liguei pois não tinha seu telefone.

Peguei um dia para dar uma passada na loja da Vila Madalena e a fotografar em detalhes. No dia seguinte, fui até outra loja de shopping para fazer mais fotos, pois as que já tinha não eram suficientes. Percebi que ainda teria muito trabalho pela frente.

Até que, na quinta-feira (da semana antes da entrega) mandei um email, dizendo a ela para, por favor, ler somente esta minha análise e criticá-la que eu me viraria com o resto. 

Resolvi dar um passo para trás e comecei a escrever um resumo da teoria do que era importante na análise em folhas de sulfite. Deram 6. 
Na sexta, ela me respondeu que estava viajado (por isso não havia me retornado) e que de jeito nenhum eu entregaria uma parte sequer do trabalho sem sua revisão.
Este dia me marcou, pois estava completamente transtornada, estava na frente do meu computador do trabalho, mas não estava ali, minha cabeça estava a mil. Voltei para casa para almoçar e continuar com meus resumos, tinha duas reuniões à tarde e combinei que este dia sairia mais cedo. Voltei, fiz apenas uma e desmarquei a outra. Não tinha condições psicológicas para prosseguir.
Escrevi, escrevi e escrevi e mandei para ela mais uma parte naquela noite. Ela comentou para que lhe enviasse tudo até domingo no final do dia que ela me retornaria à noitão.
Pensei: "não! tenho que terminar antes disso para que possa fazer possíveis ajustes!". 


Fui dormir e coloquei o despertador para às 5h da manhã. Exatamente às 3h16 despertei de tanta preocupação e resolvi colocar a mão na massa. Pendurei meus resumos na parede para poder consultar ao fazer a análise (parecia louca, no estilo "John Nash em Uma Mente Brilhante"). Comecei pela parte mais fácil, a loja da Vila Madalena, a qual sou frequentadora mais do que assídua. Quando vi, a coisa deslanchou, que consegui fazer todas as análises, exceto a fábrica para a entrega do meio-dia do sábado que tinha combinado com a minha professora. Fiquei super contente pela velocidade das respostas dela, do tamanho suporte que ela me deu na reta final, neste momento mais crucial do meu trabalho. 
Quando me vi, organizando as fotos da fábrica percebi que era muuuuuita coisa e que não terminaria antes de 2015! Minha profe me respondeu dizendo que era para eu parar por ali e que meu trabalho era quase um mestrado e reconheceu que eu estava fazendo um grande esforço.
Neste vai e vem de emails, para completar, sei lá o que aconteceu que o Yahoo! bloqueou minha conta. Só conseguia responder emails, mas mandar que é bom, nada. Ainda bem que tinha outro de backup!
Domingão continuei com os retoques finais, com a introdução que tinha esquecido de fazer, a montagem das imagens no Photoshop. Almocei no shopping para comprar uma blusinha da Farm de presente para minha orientadora e me dediquei desde o começo da tarde até às 1h30 da madrugada para a revisão de todo o trabalho. Quando achei que tivesse acabado, recebi naquele instante o email final dela com as últimas correções e fui dormir às 2h.
Acordei cedinho na 2a feira, mandei para a gráfica (claro que minha internet caiu e tive que conectar pelo celular) e, por sorte, fiz uma cópia no meu pen drive pois tive que reenviar novamente, pois tinha dado erro em algumas fontes na conversão.


Enfim. Minha mãezinha foi buscar os livros e, antes de ir para a casa dela, aproveitei para passar na PUC e devolver os últimos que ainda restava. O engraçado é que era o primeiro dia de aula da faculdade, os bares estavam fervendo e vi algumas figuras pintadas e com o cabelo todo destruído do trote. Foi nessa hora que realizei que não sou mais uma simples bacharel, mas sim, uma pós graduada na área que sempre sonhei em seguir.
O dia seguinte foi super tranquilo, pois aproveitei a hora do almoço e entreguei minhas 95 páginas compiladas em um livro. Done.








Um breve resumo de tudo:

Ai que orgulho que essa monografia me deu!
Sempre fui dedicada aos estudos e, quando abraço uma causa, vou até o fim. Isso é parte pela minha garra e parte pela minha teimosia.
Comecei a questionar tantas coisas da minha vida durante todo este processo, minhas escolhas profissionais, meus caminhos tortuosos para chegar até ali.
Este trabalho representou muito, aliás quase tudo.
Foi nele que depositei toda minha confiança, toda minha força para virar este jogo da minha história sofrida de vida por ser assim, do jeito que sou.
Tive que atravessar barreiras e vencer obstáculos, mas meu objetivo era tão claro que tirei de letra.
Me mostrou que tenho que acreditar em mim mesma, ouvir minha voz interior. E que, antes tarde do que nunca, aqui estou eu, 5 anos depois de formada, concluindo aquela Pós-Graduação meio maluca que sempre quis fazer.
O sentimento que guardo de tudo isso está registrado em imagens na minha odisséia no Instagram e na minha memória quando me recordo de uma quarta-feira árdua de estudo, no qual fiquei até a biblioteca fechar. Dirigia para casa e, naquele silêncio, me bateu uma felicidade, um bem-estar, que arrancou um sorriso do meu rosto.

When there is a will, there is a way.





InstaCollage #books # study


segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Dedicatória da Mono


Dedico esta monografia às pessoas que me inspiraram e me inspiram diariamente para que eu possa evoluir como profissional, intelectual e como pessoa.
Aqueles que acreditam em mim, no meu potencial e que um dia chegarei lá.

À minha mãe Miriam
Ao meu pai Ernesto
Ao meu futuro marido Eduardo
À minha irmã Camila
À minha grande amiga Cris


Agradecimentos

Agradeço, em primeiríssimo lugar à minha querida, brilhante e inspiradora Professora e Orientadora, Lucia Santaella, a qual tenho enorme admiração, por ter topado orientar meu trabalho, mesmo nos “45 do segundo tempo” e por ter sido tão presente em todas as etapas dele. Lembro-me até hoje da sua primeira aula a qual assisti. Naquele instante, tive a certeza de que havia escolhido o caminho certo, depois de tantos anos de vontade de estudar Semiótica.

Agradeço ao professor Milani da Universidade Mackenzie que me apresentou à Semiótica no meu primeiro ano de faculdade. Estava completamente perdida e me encontrei naquela análise do anúncio do celular StarTAC da Motorola. Ao professor da ESPM, Júlio por ter reavivado a Semiótica numa fase tão importante da minha vida e ter aberto meus olhos a fazer a escolha certa para a especialização.
Aos meus chefes e ex-chefes desta pequena longa carreira que percorri até hoje que me mostraram o caminho do marketing e das marcas, seja pelo exemplo, ou pelo contra-exemplo. Em especial ao Alejandro Pinedo, ex-diretor de marketing da Sagatiba e atual Interbrand que plantou o branding no meu coração.
À Bianca Fernandes e André Carvalhal do Marketing da Farm que prontamente me passaram informações relevantes e fundamentais para minha análise.
À minha querida e não menos importante família: meu futuro marido, pai, mãe e irmã pela paciência para com meus dilemas e indecisões cotidianas. Estes, que alguns serão resolvidos, enquanto outros perdurarão até o final do meu caminho. Serão sempre o motivo para buscar novos desafios e me reinventar. Em especial ao Du por estar sempre ao meu lado e me conhecer tão bem. Foi a pessoa quem me introduziu ao “mundo Farm”  me presenteando com um vestido azul de aniversário.
Aos meus amigos de verdade, que mesmo longe, estão perto e mesmo perto, às vezes longe, mas jamais ausentes.
Aos colegas e amigos do curso, em especial a Carol e o Felipe e todos os professores que, de alguma forma, agregaram e abriram minha mente. Como dizia o sábio Einstein: “A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original”. 


My Masterpiece!