segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Enfim, férias!

A abolição da escravatura aconteceu há exatos 123 anos atrás. Desde então, iniciou-se um outro tipo de escravidão, com um pouco mais de direitos e não apenas deveres como na versão anterior.

Os especialistas em economia afirmam que, para pagarmos nossos impostos, temos que trabalhar por 4 meses, isto quer dizer que de janeiro à abril, nosso rico dinheirinho vai para os cofres de sei lá quem e ajudam a aumentar o "pequeno" grande número do impostômetro.
Depois de 1 ano de trabalho árduo, você consegue o direito de tirar férias de 1 mês, ou melhor, 30 dias corridos. (até que comparando esta lei com alguns outros países ela não é de todo mal)

A ditadura do capitalismo não permite que você goze os 30 dias seguidos: isso é para poucos. Você acaba usufruindo de 20 dias e vendendo 10 dias do seu precioso descanso para suprir a máquina mercenária a qual estamos inseridos.



A contagem regressiva foi bastante intensa, mas as férias pareciam estar tão longe que ainda não me dei conta de elas chegaram de verdade.
Depois de alguns finais de semana trabalhados, o pico de stress para deixar tudo organizado e bem encaminhado aconteceu exatamente no antepenúltimo dia de trabalho em que abdiquei do meu almoço e faltei na aula para continuar trabalhando e camelando que nem uma louca.
No último dia, coloquei na minha cabeça que deveria estar mais relax, que o que tinha que ser feito já tinha acontecido e que não adiantava mais me preocupar.

As pessoas vinham se despedir de mim (exceto meu novo chefe que me ignorou) e me parabenizar pelas férias como se eu tivesse ganhado na loteria ou como se fosse meu aniversário.  Vinte dias passam tão rápido que antes mesmo de eles começarem, notei que já estão escorrendo por entre meus dedos.

O final de semana foi tranquilo e ainda mais com tanta chuva. Mesmo sendo o primeiro final de semana de férias, parecia como um qualquer, na segunda teria que ir para o trabalho.

Hoje, ao acordar cedo, corri prá lá e prá cá para fazer um monte de coisas que não tinha feito e que precisava agilizar antes da viagem.
Pelo fato de poucos dias de descanso terem passado, hoje sinto como se fosse um feriado prolongado.

O que me marcou neste terceiro dia de férias (ou primeiro, na verdade) foi o barulho da turbina do avião ao passar pelo aeroporto. Sim! Eu vou viajar!!!!

O que me chateou agora que estou em ritmo mais calmo e mais pensativa com relação a diversos aspectos da minha vida é que nestes últimos meses, tenho me dedicado muito aos outros e pouco a mim mesma.
Quero corresponder todas as expectativas dos que me rodeiam, seja no trabalho, seja meus amigos, família, namorado. Mas, de tudo isso acho que o que mais está pesando é o trabalho. A responsabilidade de ser chefe e de estar correndo atrás da minha promoção tão suada e que tanto me cobro.
Falta um pouco mais de leveza, suavidade e equilíbrio.

Se valeu a pena? Ainda não sei.
Já já sentirei as férias correndo nas minhas veias.
Mais questionamentos virão.
Outras respostas também chegarão.
Sabe lá como estarei pensando até o final destes 20 dias, mas uma coisa é certa: é tempo de mudar.
(O duro vai ser voltar.)




Excluindo o "check email", este gráfico explica brilhantemente o que é sair de férias

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