quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Uma Marca prá lá de Apimentada

Marcas, marcas, marcas... No mundo Pós-Moderno, vivemos rodeados por elas constantemente.
Dizem que você consegue descobrir a personalidade de uma pessoa através das marcas que ela usa. Elas foram humanizadas, se relacionam diariamente conosco, transmitem valores e dizem muitas coisas através de suas entrelinhas.
Tenho sim algumas marcas do coração, as quais me identifico. Gosto bastante da Adidas, especificamente a linha Originals. O meu apreço por esta marca esportiva (que meus chefes da Alpargatas não me ouçam!) começou quando treinava basquete no colégio e até hoje a admiro.
Gosto também da Farm, não só porque adoro suas roupas e acessórios, mas pelo jeitinho carioca que ela transpira, desde suas coleções, layouts de loja, até campanhas e mídia online.
Mas a marca que admiro e que selecionei para abordar é a Chilli Beans.
Acompanho sua trajetória de sucesso desde quando seu precursor, Caíto Maia, trazia os óculos de sol da China para vender num simples stand no saudoso Mercado Mundo Mix na Barra Funda.
A escolha do nome em inglês, Chilli Beans, permitiu que desde o início remetesse a uma marca global. A pimenta como ícone, demonstra sua forte personalidade através de um significante da culinária que é apreciado pelas pessoas mais ousadas.
A primeira loja aberta foi a da Galeria Ouro Fino, reduto dos "clubbers", adeptos ao top selling item: óculos de lentes amarelas estilo Bono Vox.
Desde que seu idealizador anunciou que não vendia óculos de sol, mas sim acessórios de moda, muitas portas se abriram. Seu posicionamento permitiu o que aconteceu alguns anos depois: fazer a extensão da marca para linhas de produto como relógios, bonés, óculos de grau, sempre refletindo as últimas tendências de moda.
Seus concorrentes não eram só as marcas de óculos de sol, mas sim todas as marcas de acessórios de moda do mercado. Desde Ray Ban e Swatch até fivelas coloridas competem diretamente com Chilli Beans. Num cenário mais amplo, roupas, calçados e serviços de beleza podemos julgar que concorrem com a marca da pimenta.
As raízes da Chilli Beans estão nas baladas de música eletrônica, movimento underground, principalmente nas festas rave. Seus quiosques e lojas até hoje são pontos-de-venda de ingressos antecipados para eventos deste perfil.
Seus adeptos desfilam com os produtos a um preço acessível. Todos que querem se sentir mais fashion de uma forma irreverente a um bom custo-benefício são o alvo de Chilli Beans.
O novo, sempre presente na marca, transpira nos pontos-de-venda. O modelo aberto, sem portas e vitrines convida o consumidor a entrar e experimentar os produtos sem constrangimentos por conta do vendedor, que também é jovem e fala a mesma língua do seu público.
Com o boom da China, a marca se preocupou em investir em tecnologia e, principalmente provar para seu consumidor de que seu produto entrega qualidade além do visual. Sua preocupação é sempre estar um passo a frente.
Foram instalados testes de raios UVs em todas as lojas, estratégia fundamental para trazer ainda mais credibilidade e diferenciação perante as outras marcas que copiavam seu modelo de negócio. Outra inovação foram os espelhos inteligentes que “fotografam” a pessoa em diferentes ângulos, além de coroar seu pioneirismo lançando vending machines para comercializar seus produtos nos pontos mais inusitados possíveis.
A escolha dos franqueados é bastante cautelosa, há um longo processo a ser seguido até que sejam homologados. Necessariamente tem que respirar a marca e se identificar com ela. Seus funcionários não fogem à regra na hora da contratação. Seu ambiente interno é bastante descontraído e a decoração do escritório reflete o estilo cativante da marca.
A estratégia de comunicação da Chilli Beans sempre transmitiu com linearidade ao longo dos anos a sua essência de ser provocante, envolvente e fashion com campanhas polêmicas com cenas de pin-ups em posições sugestivas, fotos com zoom nos olhos de diferentes animais que causavam estranheza e ilustrações modernas com mulheres levando objetos à boca de uma forma, digamos... bem apimentada!
Os patrocínios envolvem festas de música eletrônica e bandas que estão no topo das paradas internacionais. A marca também se envolve com esportes radicais, tais como skate, surf, donwhill, corrida, entre outros. Todos seus investimentos convergem às raízes da marca, afirmando a todo momento seu posicionamento jovem.
Suas parcerias, e co-brandings não fogem à regra, são cautelosamente selecionados nomes hypes da moda em coleções exclusivas e desejadas.
Num mundo globalizado, onde as tendências e tecnologias evoluem à velocidade da luz, a Chilli Beans não deixa seu consumidor esperando por novidades. Inspirado no conceito fast fashion, toda semana tem lançamento nas linhas de produto. Anteriormente, seu posicionamento de preço era de até R$100, porém de poucos anos para cá (principalmente balizado pela ascensão do consumo da Classe C) os valores ultrapassaram este patamar, sem deixar de serem acessíveis.
Como curiosidade, todos os preços sempre terminam em “8”, por superstição do empreendedor Caíto. Talvez seja este o segredo para tamanho sucesso.

Very hot, hum?!

sábado, 6 de agosto de 2011

Semi... o quê?!

É Semiótica, meu filho e já vou avisando que não tem nada a ver com oftalmologia.
Para os desinformados, uma breve explicação:

A Semiótica (do grego σημειωτικός (sēmeiōtikos) literalmente "a ótica dos sinais"), é a ciência geral dos signos e da semiose que estuda todos os fenômenos culturais como se fossem sistemas sígnicos, isto é, sistemas de significação. Ambos os termos são derivados da palavra grega σημεῖον (sēmeion), que significa "signo", havendo, desde a antiguidade, uma disciplina médica chamada de "semiologia". - Wikipedia.

Bom, tudo isso para contar um pouco como é que cheguei aí nesta disciplina prá lá de interessante.

Tudo começou na faculdade de publicidade. Lá tinha uma matéria no 1º ano que chamava "Semiótica aplicada à Comunicação". De cara, foi a matéria que eu mais gostei da grade e, alguns anos depois pude constatar que seria a que mais me identifiquei do curso todo.

Foram alguns semestres (se não me engano 3), com professores muito interessantes. Lembro-me especialmente de dois: Prof. Milani e Prof. Fernando, vulgo Baiano.

O Milani era bem sério, engravatado, devia ir dar aula aos calouros pestinhas que não queriam nada da vida depois de um dia intenso em seu escritório. Falava de Peirce, de primeiridade, secundidade e terceiridade e, pelo menos metade da sala ficava boiando.
Tenho lembrança de duas passagens com ele: a primeira delas, uma análise semiótica de alguns anúncios publicitários.Recordo-me especialmente de um da Motorola, na época o modelo Startac em que havia um deck frente a um mar, a linha do horizonte bem definida e a predominância do azul do mar e do céu. Havia um homem de costas em direção a este azul e a assinatura do produto no canto superior direito. (desculpem, procurei no Google, mas não encontrei para ilustrar...)
Fiquei fascinada em notar que diante de um ingênuo anúncio, haviam diversas mensagens sendo ditas através dos detalhes mais inusitados possíveis.
A segunda, foi um livro que descrevia todos os arquétipos utilizados pelas marcas ao criarem suas campanhas. Devorei-o em um dia. Pena que foi alugado da biblioteca e não lembro mais o nome. O que vale é que o conteúdo ficou.

O outro professor, o extremo oposto daquele estereótipo de yupie, um provável ex-hippie, que parecia ter as ideologias mais doidas possível (se compararmos com uma linha mediana). Ele era intenso, nos indicava filmes da teoria do Caos, (Corra, Lola, Corra foi um deles) e estava no ápice de seu mestrado na PUC em Semiótica, defendendo exatamente este tema. Um dia, após a aula, fui conversar com ele para entender um pouco mais. Explicou-me que sua tese foi baseada na astrologia e até me deu um convite para assistir a apresentação à banca. Claro que acabei não indo, mas no fundo me arrependo, pois teria valido a pena.
Nos anos seguintes ele saiu da Universidade. Diziam que ele tinha voltado para a Bahia para lecionar por lá. Não sei quanto tempo depois, num belo final de semana no Parque do Ibirapuera me deparei com um grupo de meditação e, advinhe quem estava puxando o mantra? Ele! Parecia que estava em seu hábitat natural, perfeito Ohm!

Agora mais madura, percebi também que tomei gosto por história da arte não pela mala da professora Naira que era uma cafona, gorducha, com a pele toda furada e que usava roupas apertadas, mas sim porque em muitos trabalhos e provas acabei tendo que fazer análises semióticas das obras de arte para descobrir e justificar a qual movimento vanguardista se referia. Interessante, não?!

Ao me formar e me libertar da minha fase de estudante, fiquei matutando que curso escolheria para a Pós Graduação.

Cheguei a ir até a Casper Líbero buscar jornalismo. Os encantos da Paulista e do saudoso prédio da Gazeta não me seduziram, muito menos a grade curricular do curso.
No fundo, sabia também que paga-se muito mal os profissionais desta brilhante profissão e, fora isso, minha carreira já estava totalmente direcionada ao Marketing e não tinha a mínima intenção em alterá-la. Na época tinha também saído uma lei de que para escrever na imprensa, não era necessário ter formação em jornalismo. Bingo!

Fui à PUC, inspirada pelo meu querido professor Baiano, pois sabia que encontraria a Semiótica por lá. Peguei o catálogo, a descrição das matérias era bastante detalhada. Me interessei bastante ao ver que a Psicanálise também estava presente, Freud, Lacan, Édipo, Gozo. Meus olhos brilharam, pois sempre tive uma vontande enrustida de cursar Psicologia. Não para clinicar, pois acho chato, mas pelo vasto conhecimento do eu, dos mistérios da mente e, consequentemente da vida.

Mas, naquele momento, eu, aos meus 22 anos de idade não sabia como encaixar esta tal da Semiótica e suas teorias malucas com os planos de mídia, excel e dia-a-dia com a agência que trabalhava até então.

Resolvi esperar. Entrei no curso de espanhol.

Alguns anos depois, mais madura e com o CV mais rico, achei que tinha chegado o momento de voltar a estudar algo relacionado à minha área. Movida também a uma experiência com marcas desde meu primeiro trabalho de carteira assinada até o que estava então, achei que o curso certo era Branding.
Antes de assumir um compromisso de 2 anos ou 1 ano e meio, resolvi investigar.
Matriculei-me em um curso de 3 meses de Branding, que serviria de ensaio para a escolha final que pretendia iniciar no ano seguinte.
Turma ótima, professor excelente. Tudo conspirou a favor. Como adorei ter feito aquele curso! Durante as aulas, ouvia o professor falando e uma vozinha lá no fundo me cutucava. Tudo aquilo começou a fazer sentido na minha cabeça, nada mais era do que... Semiótica!
Ao final de uma aula, fui conversar com ele e confirmou o que eu desconfiava.
Minha dúvida, ao entrar neste curso era: resgatar meu sonho de recém formada, abrir minha cabeça e estudar Semiótica ou focar em Branding numa Universidade tradicional prá lá de nariz empinado.
Meu sábio professor falou dos prós e contras de ambas, mas concluiu que para o mercado de trabalho, seria melhor a segunda opção. Minha decisão estava tomada: era Semiótica mesmo que faria!

Fiquei contente por retornar às minhas raízes e de perceber que no passado estava certa e que precisei de alguns anos para confirmar.

Entrei no curso e cá continuo firme e forte. Amo as aulas, algumas um pouco mais chatas, outras nem tanto. Mesmo com chuva, trânsito forte, vou com gosto até a Pós, pois me faz bem.
Gosto de muitos professores e acho a turma super bacana, porém quieta demais. Laços não foram construídos como eu imaginava ao entrar, a não ser conversas casuais nos intervalos e 2 idas ao bar em 1 ano e meio, mas tudo bem!
Volto para casa com o som do carro desligado para raciocinar e digerir todos os valores que são desconstruídos em sala de aula. Pensamentos no passado, presente e futuro que giram do lado oposto que costumam girar até então por osmose.
Questionamentos de simples coisas da vida que, se não fosse lá, nunca pararia para analisar.
Agora estou empenhada na minha monografia. Quero ler, estudar e escrevê-la brilhantemente. Dedicarei 100% dos meus neurônios para entender um tema escolhido a dedoO Eterno Retorno.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

** PUTA QUE PARIU! **

...como tem momentos que queremos pronunciar com veemência estas três palavras mágicas!