quinta-feira, 7 de abril de 2011

Nostalgia Universitária

Adentro a porta deste lugar que por muitos anos me acolheu. Caminho como se fosse mais um daqueles que lá estão por (quase) uma única finalidade: receber o diploma.
Ao andar pelos corredores, questiono-me se ainda saberia onde onde situam-se os lugares. Tenho a rápida idéia de arranjar uma razão para estar ali, além de um momento de nostalgia: ir até a lanchonete onde saciava minha fome na correria entre uma aula e outra.
Noto que as janelas de todos os prédios mudaram: todas agora parecem padronizadas com uma espécie de persiana. O chão, antes sujamente decorado com “pois” de chicletes grudados, agora dá lugar a um paralelepípedo bem simpático. Muitas outras lanchonetes ali foram abertas, até mesmo um restaurante que suspeito que seja um “Kilão”, bem onde o pessoalzinho da 8a. série da tarde costumava esperar a aula da manhã acabar e começavam a fumar seus primeiros cigarros.
Falando neles, estes tais poluentes, muletas da fraqueza de muitos, estavam bastante presentes nas mãos dos jovens alunos. Alguns seguravam o bastão de uma forma bem tosca; nitidamente esta falta de habilidade demonstra que o vício é recente.
Entro na fila e peço um croissant de presunto e queijo que vou comendo ao longo do meu percurso. Saio da praça de alimentação por outra porta, bem em frente à quadra coberta que tantas cestas fiz em meus tempos áureos de basquete.
Esporte já não representa mais o que representou um dia à esta instituição, pois exatamente 7 quadras descobertas foram extintas para darem lugar à novos prédios, rentabilizando o metro quadrado (sim, instituições de ensino também são empresas que visam o lucro). O mais engraçado é que, na entrada deste novo prédio, que minha descrição não me permitiu explorar, havia uma placa com o nome de alguém que já morreu e que possivelmente representou algo naquela história, nomeando-o. Esta placa parecia envelhecida como tantas outras centenárias que ali haviam. Pensei: “O que será que eles quiseram dizer com este signo?”
Caminho pelo lugar que, há pelo menos 10 anos atrás, ali teriam pessoas jogando vôlei e encontro outras quadras cobertas, as quais cantei vitórias e derrotas com meus saques infalíveis.
(Não, não quero sair pela mesma porta onde entrei)
Mudo a minha rota e meu objetivo agora é passar na frente dos prédios que frequentei na graduação para me divertir ainda mais com este túnel do tempo.
Durante o percurso, era nítido o aglomerado das diferentes disciplinas: os engravatados de direito, a testosterona dos engenheiros, o jeito alternativo dos arquitetos e por aí vai. Só não encontrei os estereótipos da minha área de atuação, pois agora eles encontram-se em um prédio mais moderno fora daquele campus. 
(Quando soube que este prédio inaugurara, confesso que me senti aliviada em ter sido a última turma a usufruir daquelas precárias salas. Certamente o choque ia ser muito forte se tivesse terminar minha graduação naquele prédio tecnológico e tão “descaracterístico” com esta faculdade que muito me representa.)
O prédio 9, o meu favorito, estava mais estiloso: portas de vidro abriram a visão para a beleza dos livros da biblioteca, a área comum de convivência mudou de lado e agora estava maior. Até um pórtico ali foi cuidadosamente posto para demarcar o que os arquitetos sempre quiseram: aquele prédio só para eles.
Meu maior espanto foi o quanto aquela igreja, antes parecida com um grande caixão de tijolos, foi modernizada. Agora encontram-se vastas janelas com possibilidade da visão de seu até então obscuro interior. Finalmente pude ter idéia de como ali se configurava.
Vejo algumas pessoas sentadas nas escadarias de seu maior auditório que eu costumava sentar para socializar com meus amigos e nesta hora me dei conta do quanto o tempo passou.

Avisto o mural onde li meu nome classificado no vestibular, bem próximo ao recuo no chão até hoje desenhado onde, no ensino médio havia um “tiozinho” que vendia uma porção de doces e o meu preferido era um alfajor enrolado em um papel alumínio feito com bolacha Maria.
Adentro a rua e reparo que ali próximo à entrada não encontram-se mais aquelas diversas Towners vendendo hot dog. Nem o ambulante da pizza de 2 queijos que diariamente comia estava mais lá.
Dou a volta no quarteirão pelo lado de fora e noto como o comércio evoluiu desde que parei de ali frequentar. O Pão de Açúcar já está com o logo novo, a banca estava maior, a peruana que vendia bijouterias deu lugar a um velho que vende peças de gosto duvidoso, a Saraiva ali firme e forte, além da papelaria Universitária, que sempre será a minha favorita. Novos bares e restaurantes mais bacanas foram construídos, além de um mini mercado de guloseimas.
Sinto uma pontinha de inveja ao ver o portão aberto que dá acesso à esta rua boêmia. Se no meu tempo fosse assim, provavelmente teria chegado menos vezes atrasada na aula e perdido menos ônibus.
Os famosos bares sofreram muitas mudanças, apesar do mais tradicional continuar o mesmo. Aquele que eu costumava ir, além de irreconhecível, estava lacrado. Um bar que inspirava publicitários, designers e arquitetos, agora deu lugar a um palco de cervejadas de balde regado de som sertanejo ao vivo... só podia dar nisso!
Mesmo sentindo uma certa estranheza de estar ali no meio, realizei que um dia já fiz parte daquele sistema ao reconhecer uma assistente cega, um professor que continua o mesmo e um velho segurança.
O melhor de todo este melancólico passeio foi observar as pessoas vivendo esta fase tão gostosa que já vivi. A descoberta da vida adulta, os trabalhos em grupo, as listas de chamada, os copos de cerveja, o primeiro estágio, o primeiro namoro, além de muitos primeiros que só quem passou pela faculdade sabe.



Uma vez Mackenzie, sempre Mackenzie.

Um comentário:

  1. Ai, que saudade que me deu agora... Acho que vou fazer uma "viagem" até a Guarapiranga um dia desses.

    Bjss

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