sábado, 22 de janeiro de 2011

O resultado da união de 2 R's

Ontem fui visitar o apartamento de um casal de amigos que juntaram as escovas de dente há 6 meses.

Localizado num prédio datado aproximadamente em 1950, fui adentrando ao lar com piso de taco. De cara, uma antiga chapeleira nos recepcionou no fundo do corredor. Dobrei a esquerda e logo ali já estava na sala.
O que mais me chamou a atenção depois de ter cumprimentado um a um dos meus amigos e parabenizado a aniversariante, foi uma vitrola portátil vermelha (para combinar com a parede ao lado) tocando um disco de vinil do Chico Buarque cuidadosamente apoiada sob um móvel antigo na cor verde folha.
Ao lado, outra vitrola de manivela, aquela que o cachorrinho ouvia nos tempos antigos. Lembram-se da "Victrola Record"? Sim, ela mesma estava ali em ferro e madeira.

As prateleiras estavam forradas de livros e, em destaque estava um Neruda "Confieso que he vivido". Abaixo, dois bonecos de pano: um de Beethoven e outro de Einsten. Este último confundi com Freud (meu querido companheiro de leitura) porque ao lado havia um quadro em preto e branco de arte regional entitulado "O Psicanalista". Um psicanalista com a mão embaixo do queixo analisava seu paciente no divã era a arte da xilogravura.

Para coroar a decoração da sala, estava num pedestal um livro da Frida Kahlo. Claro que eu o peguei para apreciar e notei que a graça era que as páginas do diário original foram scaneadas com sua própria letra e desenhos feitos a mão. Até a silhueta das formas que ficavam na página do verso foram refletidas fielmente.

Os 4 gatos se espalhavam e brincavam por toda a casa. A mais nova aquisição do casal, o
Jaime, um fofo filhote preto com a patinha traseira branca jogava a bolinha de lá prá cá numa diversão particular incrível.


O saudosismo bateu ao entrar no quarto ao lado do quarto do casal. Prateleiras em forma de quadrados intercaladas estavam completamente forradas com discos de vinil de todos os tipos. Tinham mais de mil!
Outra vitrola estava ali no quarto, mas estava de castigo, pois o som era muito alto e incomodava o vizinho de baixo.

Algumas cervejas e petiscos depois, fui ao banheiro. Quadrinhos vintage decoravam as paredes, além de 2 livros em cima do móvel: um deles eram as 1.000 pin ups mais famosas da história e outro com quadrinhos eróticos. Hummmm.

Não custou muito para perceber que o casal é um apreciador de antiguidade, arte kitch vintage e música em vinil.

Risadas, conversas, cervejas, cachaças e charutos cubanos rolaram a noite toda ao som de Tim Maia, Mutantes, Information Society e James Brown.

Depois do "parabéns a você", para finalizar a noite: Michael Jackson ainda negro num vinil superstyle que, em ambos os lados estavam sua foto impressa. Fantastic!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Cult

Quero mais arte, mais cultura, mais poesia...

Como é bom ver uma boa pintura, ler um bom livro, ouvir uma boa canção.

Chegar perto de obras que marcaram história, pintores que ganharam fama depois da morte.
O cheiro de museu característico.
O souvenir para relembrar aquele momento mágico.
A beleza nua e crua. Sem photoshop, sem plástica, sem retoque.

Palavras selecionadas a dedo para compor um brilhante texto poético.
Você se emociona junto, sente, viaja com a imaginação.
E, quando vê, está sentado no sofá com um livro na mão e um sorriso no rosto.

Um vídeo bem feito, uma trama bem embasada.
Faz chorar, sentir medo, questionar a vida.

Uma música bem cantada, bem tocada.
Toca mesmo é o fundo do coração.
Marca momentos, nos faz relembrar fases de vida.

O que seríamos de nós sem a beleza da arte e a ousadia dos artistas?

"La Chambre" - Exposição Temporária do Van Gogh no Musée d'Orsay - Paris 2008

Notícia Bombástica

"Brasileiros querem consumir mais tênis de marca e menos carne, diz estudo."

Estariam os brasileiros num movimento em prol ao vegetarianismo e às condições de trabalho nas fábricas asiáticas?

O que é mais importante: o ser ou o "páre-ser"?

E ainda dizem que estamos otimistas com o futuro, apesar de gastarmos menos com educação... vai entender!



* Para quem quiser ler na íntegra o resultado deste fantástico estudo:
http://economia.estadao.com.br/noticias/not_51546.htm

Breve pausa para reflexão

A gente reclama. Mais até do que agradece.

Queremos sempre mais: mais dinheiro, o melhor namorado (a), o melhor emprego, as melhores viagens, festas e afins.
Somos jovens, saudáveis e bonitos lutando por um lugar ao sol em meio à tanta concorrência neste mercado de trabalho.
Fazemos curso de idiomas, MBA, especializações no exterior. Acrescentamos com experiências em multinacionais, sempre com ótima performance e resultado.

Valorizamos o que os outros tem, esquecendo nossos méritos e virtudes. O famoso ditado que "a grama do vizinho é mais verde".
O melhor que temos para hoje é realmente o que já possuímos: nossas famílias, amigos, emprego, nosso corpo, nosso cabelo (mesmo que precise dar um tapa com uma chapinha), enfim, nosso EU.

Temos um universo de oportunidades que nos aguardam no futuro.
Um mundo para conquistarmos.
São tamanhas as possibilidades que cabe somente a nós direcionar qual estrada trilhar.

Entrei no elevador com uma mãe que gentilmente esperou eu fechar meu carro e segurou a porta para que subíssemos juntas. Ela estava acompanhada de seu filho com uns 3 anos de idade, deficiente. Tinha dificuldade para falar e andava com o auxílio de um carrinho. Seus pezinhos são tortos o que torna complexa uma simples atividade.
Pensei: como será este garoto na vida adulta?

Infelizmente esses questionamentos sobre as coisas simples da vida só nos passam na cabeça nesses momentos.

Reflitam diariamente para que não precisem perder o que mais temos de valioso para aprender a valorizar.


Google Image

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

About Me

Num dia, decidi que iria estudar mecânica depois de ficar 3 horas parada na rua por conta de um problema no carro.
Sempre quis ser independente e auto-suficiente para nunca precisar tanto de alguém.
Não precisou eu crescer muito para ver que aquela idéia era absolutamente maluca que, na verdade, eu queria mesmo era ser advogada porque eu sempre escrevi bem.

Aluna exemplar, meus textos eram frequentes a cada ano publicados no livro das melhores redações da escola. Ganhei até uma caneta tinteiro Lamy, um luxo para a época. Minha companheira inseparável de estojo, mal emprestava para minhas amigas, caso contrário "ia estragar a pena".

Terminei o colégio sem nada prestar com medo da frustração de não passar na São Francisco, meu objeto de desejo e obstinação, para orgulho de meus pais.

Depois de alguns piercings, tinturas no cabelo e música eletrônica durante o cursinho, decidi prestar uma particular na metade do ano, pois meu esquema de estudo intenso durou o longo período de uma semana.

Saindo da prova, já tinha certeza que não passaria. Como falar isso para os meus pais?
Bom, esperei. Até o dia em que acordei cedo, comprei o jornal e comprovei o que já imaginava: o meu nome não estava lá.
Respirei e segui em frente: afinal, a vida continua.

Comecei a questionar se era isso mesmo que eu queria, tantas formalidades, tailleur e scarpin. Sem contar no serviço de "boy de luxo" que teria que fazer pelos fóruns da cidade até chegar em algum lugar.

Até que um dia, numa loja, experimentando roupa, o vendedor começou a puxar papo comigo e com minha amiga e nos perguntou: "O que vocês querem prestar no vestibular?"
Sem pensar muito, acabei dizendo: "Publicidade!"

Minha amiga e companheira fiel do cursinho me olhou sem entender muita coisa... teria ela mudado de idéia?

Sim!

Prestei o novo curso e entrei depois de muito suor. Detesto testes, as questões abertas sempre foram mais simpáticas...

E lá estava eu, bixete de publicidade. Para ser mais específica: Publicidade, Propaganda com habilitação em Criação.
O deslumbramento da transição da adolescência para a vida adulta foi inevitável como qualquer ser humano com curso superior nem que seja incompleto.

Para minha maior frustração, no final do semestre me deparei com o inevitável:
Uma DP justo na matéria que eu tinha certeza que sabia!
Nunca tinha bombado na minha vida, o que os meus pais iam achar? Por exato 0.4 ponto, o professor (infelizmente com razão) não quis arredondar...

No ano seguinte, nova atitude: primeira carteira, estudando prá valer uma matéria que já tinha visto, as mesmas piadas, os mesmos livros e trabalhos.

Quando dizem que algumas coisas inesperadas acontecem por um golpe de sorte, eu sou a prova viva.
Decidi mudar a ênfase do mesmo curso: habilitação em Marketing.

Estágios em grandes empresas, multinacionais.
Passei por diversas áreas: marketing, vendas, licenciamento, trade...

E aqui estou eu.

Se me perguntarem do futuro, a resposta é a seguinte:

Sabemos tudo o que queremos ou
Queremos o que achamos que sabemos?




P.S.: Aquela foi a única DP da minha vida: "Introdução ao Marketing". Lembro-me nitidamente da cara do professor, mas não do seu nome.
Meus pais não ficaram sabendo até hoje.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Anatomia

Temos 2 olhos, 2 orelhas, 1 nariz com 2 furos e 1 boca.

Por que alguns insistem em compensar a falta de um par de bocas utilizando-a em excesso?

sábado, 8 de janeiro de 2011

Vida Online

Somos heróis, viajamos para os melhores lugares do mundo, temos sucesso, dinheiro, muitos amigos e namorados(as) gatos.

Fazemos os comentários mais pertinentes e relevantes para conhecimento dos outros, adicionamos somente quem conhecemos, mesmo que o verbo "conhecer" tenha sido julgado uma só vez adicionando o adjetivo "superficial".

A vida online é uma página da Revista Caras, onde nós mesmos somos os editores e selecionamos a dedo o que temos de melhor, apagando os defeitos com um simples pincel do Photoshop.

Mesmo assim, confesso que gosto de, de vez em quando, postar alguns pensamentos no Facebook e bisbilhotar a vida alheia. Não muitos, já que meu receio é ficar exposta demais lá. Deixo este trabalho para discorrer nesta página aqui. Twitter não uso muito, MSN nem sei se já travou de tanto tempo que não entro. Orkut? Para "losers". Linked In não sei mexer direito, afinal networking é algo que tenho que desenvolver.

Este Big Brother da vida real é algo frenético e chegou para ficar.
Qual será a nova mania que ainda está por vir?