segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Eu e Ele. Ele e Eu.

Ele reclama que eu pego seus moletons no frio. Gosto de ficar à vontade quando estou em casa, principalmente com aquele azul turquesa.
No calor, pego as camisetas velhas dele. Tenho que admitir que são muito melhores e mais confortáveis do que as minhas.
Ele reclama que onde ele está eu estou (e não admite que vice-versa também acontece). Passamos tão pouco tempo juntos que quando estamos pertinho quero mesmo é ficar grudada.
Ele joga na minha cara que, no início do namoro eu era rebelde e que agora estou um docinho. Tudo tem seu tempo, né?
Gosto de experimentar o que ele está comendo, ele me monitora o tempo todo, até quando acordo no meio da madrugada para fazer xixi.
Fica todo enciumado quando entro no Facebook, diz que "não gosta destas coisas" e acha que estou paquerando pela internet. Bobagem.
Gosto de cheirar seu cangote, de dar risada com suas palhaçadas, de fazer cócegas quando está desprevinido. De repreendê-lo de brincadeira, chamando-o de um jeito único o seu apelido.
Ele, para me irritar, puxa meu dedinho do pé e cheira o meu suvaco. Pede para eu responder chamada para, quando levantar o braço, fazer mil cócegas em mim que eu não me aguento em pé.
Às vezes, pego o seu computador emprestado, mas isso ele não gosta. Tem ciúme.
De uns tempos prá cá, virou Applemaníaco. Agora quer um iPad. Eu vou na onda.
Ele joga Playstation enquanto faço a minha unha.
Ele gosta de jantar em restaurantes chiques e, até conhecê-lo, não fazia a menor questão.
Cinema só se for no Kinoplex. Espaço Unibanco quando estiver inspirada.
Agora ele reclama que eu estou mal acostumada. Oras, por que então ele me mostrou o lado bom da vida?
A gente sai junto, viaja junto, faz compras no supermercado, toma banho, dorme com os pés grudados, se enrosca.
Os poetas da atualidade podem até defender mil teorias sobre o amor líquido, sobre os relacionamentos-relâmpago e os estatísticos apresentarem mil teorias baseadas em percentuais de separação versus casamentos e tentarem ditar como devemos nos comportar.
Mesmo ele me chamando de chata e eu o chamando de tonto, tenho que admitir: só ele sabe como me fazer feliz!


:)

Ele e Eu na minha foto preferida, intensa e cheia de emoção. Inesquecível. - Valencia 2008

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Protesto


Após uma decepção ao sair do Oftalmologista, adentro-me pelas ruas da cidade até cair na triste, cinzenta e empoeirada Av. Santo Amaro. Penso que este tal de Amaro deve ter sido um pobre coitado em sua vida, afinal esta avenida a qual leva o seu nome é o verdadeiro rascunho do inferno.

Grades repletas de fuligem por toda a via, postes com fios entrelaçados com os famosos "gatos" à vista de qualquer um, pessoas sofridas caminhando pelas calçadas, ônibus indo e vindo de todos os lados sem respeitar faróis e transeuntes, casas abandonadas e completamente pichadas, sem contar no caos do duelo carro versus motoboys por 10 centímetros a mais do percurso.

Esperando impaciente naquele farol que abria e fechava sem ninguém andar, dentro do quente conforto de meu carro, prendo a minha atenção a uns 2 carros a frente na fila ao lado, num reluzente Fiat 500 azul royal com um senhor fora do peso com o braço para fora da janela escancarada. O veículo destoava tanto dos outros que não tardou muito para um rapaz, de pele escura com uns 20 e poucos anos carregando uma pequena sacola de papel da loja "Colombo" grudar no vidro dele. Em frações de segundo, o rapaz saca uma pistola automática preta fosca de dentro da sacola (que suspeito que poderia ser de brinquedo), mostra para o gordo de dentro do carro, guarda-a novamente e começa a recolher a recompensa de seu terrorismo para desgraça daquele homem. Durante esse momento (que tive a sensação de ter durado uma hora) pude assistir o espetáculo da violência urbana de camarote. O assaltante, também nervoso, começou a olhar os outros carros (inclusive o meu). Um calafrio me subiu a espinha, minhas mãos começaram a tremer, senti meu rosto empalidecendo e a boca seca e tudo que pude fazer foi colocar a minha bolsa embaixo do banco do passageiro e fechar meu vidro filmado por completo. E rezar, é claro. No desespero, minha imaginação começou a fantasiar que aquele f$%¨&* faria um arrastão em todos os carros ali parados, já que rota de fuga naquele momento era algo impossível. As pessoas no canteiro central começaram a aglomerar-se para ver o assalto. Impotentes, nada fizeram se não colocar-se na posição de voyer. Pouco tempo depois, o tal evaporou-se dali. Uma Eco Sport que estava na frente do 500 abriu a porta para ajudar o pobre gordo que naquele momento estava catatônico, em completo estado de choque, parado. Para completar o caos, veio uma moto a toda velocidade e bateu na porta aberta da Eco.

Para meu alívio, o farol abriu e eu literalmente parei o trânsito para deslocar-me da pista da esquerda para dobrar à direita rumo à Hélio Pelegrino, minha salvação e para desgraça daqueles que me chamaram por nomes nada educados. Naquela avenida não ficaria por mais um segundo sequer!

É óbvio que demorei muito mais tempo para chegar no meu porto seguro pelo fato de ter desviado a rota. Chorei no caminho, pois senti na pele a impunidade e a violência desta cidade caótica em que nasci.

Fica aqui registrado meu protesto. Infelizmente nada posso fazer além disso. Não apenas eu, mas definitivamente ninguém, pois somos apenas peões dentro de um infinito tabuleiro de xadrez manipulado pelo sistema.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Passeio pela Viação Gato Preto

A gente está acostumado a acordar, tomar café, se arrumar e apertar o S1 do elevador.
Adentrar nossa confortável bolha móvel ao som escolhido conforme o humor do dia combinado com ar condicionado para não despentear as madeixas. Sem desvios no trajeto, estamos dentro de alguns minutos (para outros, algumas horas) no local desejado. Largamos de qualquer jeito nas mãos  do rapaz uniformizado e o dia segue normalmente.

Ao aguardar em pé naquele ponto de ônubus em meio à periferia de São Paulo, não pude deixar de perceber alguns anúncios à minha volta: "Hidratação a partir de R$ 35 / Progressiva R$ 75", "Alugo salão de festas no bairro. Fone xxxx-xxxx". Por uns 10 minutos uns 3 ônibus passaram, os quais rejeitei por não passavam pelo meu destino. Vi um caminhão das Casas Bahia trazendo alegria a alguém que comprou no crediário algo para engrandecer sua casa e outro caminhão da Schin com muitos engradados de cerveja para abastecer o barzinho logo ali em frente. Na casa onde supostamente seria o salão de cabelereiro, reparei no parapeito do primeiro andar umas garrafas quebradas minuciosamente colocadas para evitar que algum malandro adentre clandestinamente pela janela. Não pude deixar de perceber que eram as antigas garrafas verdes de refrigerantes 1L: Guaraná e Soda Limonada. (Acho que eles não gostavam muito de Coca-Cola!)

Meu caminho de ida durou exatos 40 minutos. Claro que com a ajuda do querido GPS pude chegar até ali sem grandes dificuldades. O trajeto de volta, durou 1h a mais do que a ida, com grandes emoções ao ver o lotação dando voltas para conseguir atender o máximo de pessoas possível. Passei pela Ponte Piqueri, Lapa de baixo, Cerro Corá, Vila Madalena até meu destino, Faria Lima. Foi engraçado observar que cada vez que ia me aproximando do grande centro, pessoas diferentes adentravam ao ônibus e a paisagem de casas simples ia migrando para grandes academias "Eco Fit" e prédios luxuosos comerciais.

Uma parte engraçada da odisséia foi eu ter abandonado meu aparelho de reclusão do mundo, meu querido iPod, e observado a conversa de alguns que estavam ali próximos.
O cobrador jovial que "paquerava" a garota, sentada toda derretida no banco em sua frente.
- Você tem carro?
- Tenho!
- E que carro que é?
- Um Palio. Mas é um Palio velho...
- Velho, por quê?
- É ano 97.
- Ah, sei... é aquele tipo bolinha, redondo atrás do modelo antigo, né?
- É... você gosta de Palio? Acha o Palio um carro bonito?
- Sim, eu gosto sim!
(balão invisível: Melhor do que andar de busão, né?!?!?!!)

Outro rapaz que entrou no meio do trajeto combinava o reveillón com seu amigo "Marcelo" pelo celular. O detalhe: ele usava fone para não deixar aparecer seu celular.
- Então, a gente vai alugar um apê em Itapeva. É pertinho do Balneário, uns 10 minutos de carro. Dá para dar rolê em Floripa, na Brava, altas praias.
- ...
- Ah... você não vai poder pegar a semana? Só 4 dias? Bom, vou falar com os mano para você pagar o proporcional, né? Aí a gente divide a diária, deve sair uns R$ 50 por dia.
- ...
- Então... eu vou de carro com certeza... O André vai de avião, sabe aquela companhia, Azul? Então é mais barata, cara... vai se agilizando que se comprar com antecedência sai mais barato.
- ...
- De balada não sai muito barato não! Se comprarmos antecipado deve sair uns R$ 40, mas o camarote do Green Valley é uns R$ 700. Mas, cara... vamo arrepiá na praia que só tem gata!
Ano passado a gente apavorou, você vai ver!

Passada a Faria Lima, peguei outro busão até a Santo Amaro. Este não demorou muito, afinal, por ali passa um seguido do outro.
Foi ótimo observar no banco do passageiro alguns trajetos que faço sempre de carro. A gente nunca consegue observar os detalhes por onde passamos, além do número da placa do carro da frente, a traseira e os possíveis adesivos bizarros que alguns trazem.

Um cara todo tatuado sentado no telhado do 1º andar de um prédio. Achei radical. A livraria da Tabapuã que sempre tive vontade de entrar, notei que tem livros com até 70% de desconto! Ai que vontade de descer, mas como estou sem o Bilhete Único, não achei que seria bom negócio.

É óbvio que quase desci 1 ponto antes do que deveria, essa minha ansiedade de passar o local me persegue até os dias de hoje. Dali, fiz uma pequena caminhada até minha casa.

E aqui estou. Sã, salva e feliz! (e torcendo também para que consertem o carro logo!)

We All Want To Be Young

Last days, I've been searching for information about Generation Y.
It will be my monography's theme.

This video is unmissable!


sábado, 6 de novembro de 2010

Escolhendo Feijão

Ontem à noite fui escolher o feijão para a secretária do lar cozinhá-lo hoje cedo.
Na verdade é cozinheira mesmo, pois ela veio aqui apenas para esta única tarefa.
Sentada na mesa da cozinha com a bacia na minha mão, fiquei divagando que esta é uma tarefa tão do lar que encontra-se "totally out" da minha realidade.

Não que eu não goste de feijão, mas é que definitivamente colocá-lo na panela de pressão e temperá-lo é algo que nunca fiz. Não sou uma mulher mais ou menos feliz por conta disso; tenho que confessar que não gosto muito de cozinhar (para desgosto de meu digníssimo marido).

A parte que eu gosto é a melhor: esquentar o que já está pronto no microondas, hot dog, omelete, macarrão, miojo ou inventar loucuras de sanduíches com todos os tipos e consistências de queijo que existem, isso sim sei fazer muito bem! :)

Bom, pelo menos eu sei que este feijão gostoso que comi hoje e que comerei nos próximos meses (afinal aprendi que 1kg é muuuita coisa para um casal) não terá pedras nem grãos estragados!

Google Image